Uma releitura de "The Tyger", em resgate da cultura brasileira

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Uma releitura de "The Tyger", em resgate da cultura brasileira

Mensagem por rpieroni em Ter Mar 24, 2015 9:23 pm

O bagre

Ó bagre, ó bagre! Peixe rabanado,
Que aos cantos do meu prato tens mijado,
Que gancho ou que vareta, rija e tesa
Te enrosca ao beiço p'ra lançar-te à mesa?

Em que refolhos ou de índio a oca,
Queimou, ardente, o sangue na piroca?
Mijaste-lhe em que pássaro sua asa?
Que mão ousa agarrar o pinto em brasa?

Que líquido te escorre, se espremido,
Será um fornido negro, ou grão de milho?
E o negro, se açoutado, carpirá?
Se negrejado, o açoute milhará?

Que mijos bebe à goela a boca pronta?
De que latrina o rabo teu desponta?
Que pó, de que cartola, a lebre tiras?
À noite, no penico, ouves que liras?

Quando do esgoto, enfim, foste liberto
E à luz vieste em fezes recoberto,
Aquele que no balde mijou triste
Também em ti mijou pilhéria e chiste?

Ó bagre, ó bagre! Peixe rabanado
Que aos cantos do meu prato tens mijado,
Que gancho ou que vareta, rija e tesa
Te esbeiça o beiço p'ra lançar-te à mesa?

rpieroni

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